sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O VENCEDOR





Filmes de lutadores são freqüentes e alguns se tornam verdadeiros clássicos, pois em sua maioria mostram histórias de homens e mulheres em sua decadência tentando vencer a maior luta de todas, a da sobrevivência e em seguida acompanhamos suas superações e vitórias, fazendo com que muitas pessoas se identifiquem com as personagens. Algumas figuras são lembradas até hoje e se tornaram muito populares após tanto tempo presentes em nosso meio, exemplo maior é a história do famoso boxeador Rocky Balboa de 1976 e tantos outros após que fizeram sucesso em suas determinadas épocas decorrentes como “Touro Indomável”, “Menina de Ouro” e “O Lutador”. 
  
Em “O Vencedor” acompanhamos a trajetória de Dicky Eklund (Cristian Bale) um ex-pugilista famoso por derrubar Sugar Ray Leonard no ano de 1978 (Luta que Dick infelizmente acabou perdendo) e que teve sua carreira interrompida pelo vicio de crack. Sua vida atual se resume em lembrar, de seu grande feito e de treinar Micky Ward (Mark Wahlberg) seu irmão mais novo que é lutador meio-médio. Lowell é uma cidade pacata e é nela que começa a jornada de redenção de Dicky para se livrar das drogas e Micky para ganhar seu titulo mundial.

Olhando assim podemos imaginar apenas mais um filme desses que vem e vão a todo o momento. Mas “O Vencedor” tem grandes diferenciais que vão além de um bom roteiro, pois o filme conta com elenco de peso que mostra seu potencial desde o inicio com uma cena no melhor estilo documental, feito pela HBO mostrando a vida do ex-boxeador e as conseqüências desastrosas geradas pelo uso de drogas.



Nada é fácil quando o assunto é contar a verdadeira história de alguém, principalmente quando as informações ali transmitidas precisam ser fiéis. Note que no final do filme somos apresentados aos verdadeiros irmãos a quem pertence á história e que Bale e Wahlberg conseguiram mesmo captar a verdadeira essência dos personagens se revestindo de suas personalidades e trejeitos de uma maneira fantástica. 

David O. Russell consegue extrair grandes momentos de seu elenco entregando um verdadeiro show de atuações com destaque para a matriarca da família Alice Ward (Melissa Leo) que apesar de seu senso comum comanda sua casa com mãos de ferro e Cristian Bale que entrega um Dicky verossímil e maltratado pelo vício das drogas, uma de suas melhores personificações. Visto de uma forma diferente já que teve de emagrecer muito para viver seu personagem.  

Querendo honrar seus antecessores “O Vencedor” entra na disputa por sete estatuetas mostrando grandes chances e para o que veio, com toda certeza mais um sucesso promissor e garantido no rol da fama e que venha o “Oscar”. 

Diego Sete Cine


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

CISNE NEGRO



Primorosa é palavra que define a atuação de Natalie Portman que concorre na categoria de melhor atriz em Cisne Negro, versátil, avassaladora, impecável, dramática e por fim, melancólica, alguns sinônimos. Provando que o amor pela arte não tem fronteiras e que podemos ir mais longe do que imaginamos quando temos um sonho a ser seguido.

Emocionante cada detalhe, ato e movimento de sua apresentação. Brutal em alguns momentos em que presenciamos suas dilacerações físicas. Impressionante como todo contexto áudio-visual ali transferido, para que no final da metamorfose seja entregue uma apresentação perfeita do cisne e apreciada como um bom vinho extraído das refinadas adegas puritanas.

Um filme de Darren Aronofsky polêmico e aclamado diretor que no passado revelou muitas de suas obras com temas consistentes e obsessivos, cada qual com sua característica própria e envolvente dentre elas “Fonte da Vida” filme no qual Hugh Jackman se mostrou um ator de grande performance.   

Nina Sayers leva uma vida regrada aos minuciosos detalhes e busca a perfeição em cada momento de sua vida, principalmente em sua carreira de bailarina que exerce com tanta dedicação.
Sua mãe (Barbara Hershey em excelente postura), uma ex-bailarina, tem acompanhado sua trajetória rigorosamente desde a infância almejando que a filha se lance ainda mais longe do que ela própria.
Para ser Odette o cisne branco a moça não tem dificuldades, mas ser Odile o cisne negro será algo novo e desafiador que ira mexer com suas emoções mais profundas e obscuras. E com a escolha do cisne protagonista se aproximando e a chegada de uma bailarina concorrente, a pressão ao redor de Nina aumenta e os sonhos da garota podem acabar se tornando um pesadelo obsessivo. Clássico e épico ao mesmo tempo podem levar a confusão e ainda mais longe gerando uma reflexão que pode lapidar a alma.


As sinfonias de Tchaikovsky estão presentes a todo momento e para descrever cada uma, é como se  a mente e ouvidos, se esvaíssem de todas as maldades e iniqüidades possíveis, que nos cercam e corrompem a todo momento e enchessem do mais puro gosto musical. Simplesmente não ha palavras para descrever suas obras e quando isso é fundido a mais sublime e talvez monstruosa arte de Darren Aronofsky, podemos acompanhar o deslumbre de um novo patamar nunca antes visto no cinema, simplesmente sublime e arrebatador.

Por fim sem meras pontuações ou delongas podemos assistir algo delicado e poético, ainda que sombrio cheio de encantamentos e feitiços que transportam o telespectador ao ponto máximo do êxtase clássico. Um frenesi sem meio termo. Esta é a obra mais consistente e perturbadora de Aronofsky.

Diego Sete Cine




quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

BRAVURA INDÔMITA

Irmãos Coen, são grandes referências em Hollywood por seus trabalhos minimalistas. Seus temas mesmo que simples sempre beiram a complexidade e dificilmente deixam de fora detalhes importantes de uma trama que se preze, demonstrando domínio sobre todos os temas trabalhados até aqui. Olhando para suas obras não posso deixar de citar “Onde os fracos não tem vez”. Western contemporâneo que venceu quatro categorias em 2008, incluindo a de melhor filme.    


Filmes com pitadas de cinismo e humor negro são o forte dos irmãos e com Bravura Indômita não é diferente, baseado no romance do jornalista Charles Portis de 1968. Sendo esta uma versão revisionista e melhorada do que a de Henry Hathaway em 1969.

Nesta história, vemos a jornada de Mattie Ross (Hailee Steinfeld), uma menina de 14 anos que obstinada, busca vingança pela morte de seu pai, que fora assassinado por um bando de foras da lei. Nesta hora Mattie é apresentada de uma maneira peculiar a Reuben “Rooster” Cogburn (Jeff Bridges) o federal. Um homem que enfrenta sérios problemas com a bebida e tem, no seu currículo muitas mortes em prol dos serviços prestados a cidade. Também somos apresentados ao ranger texano Laboeuf (Matt Damon) uma figura machista e inflexível que irá fortalecer o grupo na busca dos bandidos.


Laços de ternura são duramente testados quando os personagens principais se colocam nos ambientes frios das montanhas e de calor intenso nas planícies desertas, lugares selvagens cheios de perigo e desafios que os cercam durante a perseguição. Laboeuf em determinado ponto se desliga do grupo, momento este que aproxima Mattie e Rooster criando um elo de filha querendo preencher o espaço vazio deixado pela perda do pai e do homem solitário que busca na menina companhia para poder amar e proteger. Amadurecimento é o foco principal do filme para ambos os personagens que levam esta jornada aventureira, como lição pelo resto de suas vidas.

Alem de ter um roteiro impecável, carregado de emoções escrito e adaptado pelos irmãos Coen. Vemos uma fotografia belíssima e sensível, que sobrepõe os ambientes naturais que ainda restam no território estadunidense, em momentos de reflexão que normalmente são escuros se dá mais ênfase aos diálogos entre os protagonistas.
   
Jeff Bridges entrega mais um personagem impecável, demonstrando sua merecida vitória de melhor ator por “Coração Louco” em 2010 e seu crescimento gradativo a cada papel que exerce buscando sempre a perfeição. Repare na corrida que ele faz para salvar a menina da picada de cobra, um verdadeiro clímax é criado e em nenhum momento o ator deixa transparecer alguma falsidade na dimensão do momento.


Os filmes de faroeste são uma marca registrada do povo norte americano e dificilmente há quem não goste dos duelos ao amanhecer a base de pistoleiros ágeis, cavalos rápidos, caixões aguardando por seus novos residentes, está tudo lá.
   
 “Bravura Indômita” concorre em 10 categorias com destaque de melhor direção para os irmãos Coen que garantem sucesso a cada trabalho realizado, pois o executam com muita competência e dedicação.

Crítica por: Diego Sete Cine